Videojogos: Boas Leituras

Videojogos: Boas Leituras

#02 Engrenagens: A Resistência

A resistência não limita o jogador — ensina-o a abdicar.

Avatar de Filipe Urriça
Filipe Urriça
abr 01, 2026
∙ Pago

Há mecânicas que respondem ao jogador. E depois há a resistência — que responde por ele, transformando cada gesto numa escolha com custo.

A resistência não é um limite. É uma economia. Um sistema que decide quanto de futuro cada ação consome antes de acontecer. Dark Souls tornou isso explícito ao colocar ataque, defesa e esquiva na mesma barra. The Legend of Zelda: Breath of the Wild levou-o para o espaço aberto, onde correr, escalar e nadar competem pelo mesmo recurso. Em ambos, o efeito é o mesmo: o corpo deixa de ser ilimitado, e o erro deixa de ser apenas execução — passa a ser decisão.

A diferença entre não conseguir e não dever raramente é visível à primeira vista. Mas é aí que a resistência opera — no intervalo onde o jogador ainda pode agir, mas já devia ter parado.

A diferença entre um jogo que controlam e um jogo que te controla começa muitas vezes aqui: numa barra a esvaziar, num gesto a mais, e na pergunta silenciosa que antecede a falha — sabes quando parar?

Engrenagens é uma rubrica sobre mecânicas concretas e o que elas produzem no jogador — não enquanto história ou representação, mas enquanto sistema.

Avatar de User

Continue a ler este post gratuitamente, cortesia de Filipe Urriça.

Ou adquira uma subscrição paga.
© 2026 Filipe Urriça · Privacidade ∙ Termos ∙ Aviso de cobrança
Comece o seu SubstackObtenha o App
Substack é o lar da grande cultura